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Querido Diário…

Estou aqui abrindo meu coração para você. Não você diário e sim, você leitor. Resolvi abrir páginas do livro da minha vida (como se eu já não tivesse aberto o bastante) só que dessa vez, meio que literalmente.

Mexendo numas caixas de tranqueiras que guardamos sei-lá-pra-que, achei uma preciosidade! O meu 1º diário. Fiquei fascinada com a minha capacidade de escrever tão bem! (Vocês vão ver como eu escrevia mal assim que lerem as pagininhas que escaneei, hahaha.) Mas o que realmente me impressionou, foi perceber que, desde pequena, eu já era de me apaixonar.

Se hoje minha vida é movida pelo amor – entre outras coisas – já naquela épocazinha era a mesma história. A cada dia que eu escrevia no meu diário, eu gostava de um menino diferente. E era tudo muito intenso, eu usava termos do tipo “amor”, “para sempre” e etc. Hoje em dia, confesso que me adaptei as mudanças. Usar termos intensos faz qualquer cara saír correndo pra bem longe de mim. O que é uma merda, pq às vezes eu gosto de ser exagerada pra afirmar uma idéia e sem querer acabo soltando as palavras erradas e…Fica impossível explicar para alguém que não me conhece tanto, que eu estava brincandinho. Mas enfim, isso não vem ao caso agora. Vamos ao que interessa, as pagininhas do meu primeiro diário ♥

(Clique na imagem para vê-la maior)

Página 1

Nesta primeira página, como podemos ver, já começo com uma frase peculiar: “Querido diário. Eu tenho muitos namorador, mas oque eu gosto mesmo é o Renam.” Sim, eu deveria mesmo ter muitos namorados. Mas sempre tinha um preferido. Daí, aleatoriamente, comento sobre minha vontade de ter um “puldol” e cito um poema, muito profundo e romântico. Eu realmente tinha o dom pra arte de amar, vocês não acham?Página 2

Me lembro bem desse tal de “Logulo”. Logulo era o sobrenome, e eu realmente batia nele. Tinha uma lancheirinha e vivia dando na cabeça do coitado. Engraçado essa maneira de criança mostrar que gosta né? Sempre que um menininho gosta da menininha, ele faz coisas nojentas ou fica enchendo o saco da coitadinha. E meninas também, batem, fingem que odeiam…É uma filosofia reversa e inexplicável. Depois do Logulo, mais uma aleatoriedade sobre meu dente mole e…Volto no assunto mais interessante, os namorados. Poxa, já na 2ª vez que escrevo no diário, tenho 3 meninos diferentes contidos nele, e lido com essa dúvida cruel sobre quem eu gosto de verdade. Humm, alguns dias depois eu volto, dizendo a data (para mostrar que passou um tempo preu pensar) e…Decidido: gosto mesmo é do Renan, não do Rafael. Atenção pra fase ótima “Os dois são chatos mais gosto deles dois poriço”

Página 3

Intensidade, muito amor e certeza das coisas na vida. “Renan vai estar sempre no meu coração” Logo em seguida, deve ter passado um tempo (pq coloquei outra data) voltei com muita revolta em meu coraçãozinho: “Chega de ficar com a boca no chão! Levando no fora chega! = Renan! Aquele bobão! Ele ama a Carolina.” ….Esses homens. Me decepcionando desde que eu tinha 8 anos! Partir corações indefesos de meninas apaixonadas é uma arte que os homens vem praticando desde que nascem! Ainda bem que quando eu era pequena, o meu “pra sempre” era relativo à “semana que vem” e eu conseguia me curar rápido: “…ele ama a Carolina. deixa eu já tenho outro” olha só que simples eram as coisas né? Daí do Renan fui  pro Murilo, depois pro Felipe e pro Ricardo…

Página 4

Quando eu escrevo que meu “namorado” é o Ricardo, é claro que não é. Sabe a música do Seu Jorge que diz: “To namorando aquela mina, mas não sei se la me namora…”? Era bem isso. Ricardo era meu paquerinha, eu chamava de namorado mas ele nem sonhava em saber que eu gostava dele. Também, era bom que nem soubesse, já que na página seguinte, eu gostava de outro, chamado Gastão (?). Atenção para meus dons artísticos, que desde pequena eram bem notáveis.

Página 5

Resolvi pular algumas páginas, se não vocês perderiam a paciência comigo e meus milhões de homens meninos. Cheguei ao ano de 1996, quando eu gostava de um menino chamado Victor, que me fez escrever seu nome 252 vezes no meu diário (isso pra mim era quase que infinito!). Peguei essa página justamente para mostrar como eu evoluí na medida em que o tempo passou. Esse Victor foi uma grande vitória. Consegui gostar dele durante 1 ano inteiro! Pra quem mudava de amor a cada página do diário, gostar de 1 garoto só o ano inteiro era um record né? Pra mim isso significava muito. Eu realmente achava que Victor era “O Homem da Minha Vida”. Forte né? Intenso. Achar “O Homem da Sua Vida” com apenas 10 anos é uma sorte muito grande. Hahahah!

Bom, para finalizar o post, vou colocar esse vídeo que tem tudo a ver com o tema. É um vídeo que ganhou Cannes em 2008 e me fez lembrar muito dessa minha época do diário.



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O Amigo da Placa Torta

Estava eu, linda e loira voltando da minha aula de teatro, quando chego na esquina do meu prédio e vejo que a placa, escrito Rua Cayowaá, está totalmente torta como se um carro tivesse batido nela. Eu, num ato totalmente falho, tento empurrá-la com o braço pra desentortá-la mas claro, com essa minha força de leão, não consegui nem que a placa se mexesse um tiquinho.

Quando vejo, tem um carinha vindo bem atrás de mim, e penso: “Ok, ele deve estar me achando uma idiota toda magrelinha, pensando que vou conseguir desentortar essa placa né?!” E como quando eu fico com vergonha eu falo, resolvi chegar pra ele e fazer uma piada pra quebrar o gelo e ser menos ridícula:

– Até parece que eu ia conseguir desentortar a placa com esse meu tamanho todo né?

Ele deu uma risada, aceitou bem a piada e eu completei: “Poxa, você que devia tentar desentortar, é bem mais fortinho do que eu…” (Falei isso pq ele tava de shorts e regata, como quem está voltando da academia e gosta de dar uma malhadinha). Daí, só pra não ficar aquela coisa de risadinha e fim, resolvi puxar um assunto perguntando se ele morava na rua Cayowaá mesmo e ele disse:

– Sim, moro aqui nesse prédio. (apontando pro prédio que estava bem na nossa frente)

– Ah…Legal..Em que andar você mora?

(tempinho pensando…) Moro no quinto…Não, não..No terceiro!

– Poxa, mas esse prédio tem tão poucos andares e você ainda tem que pensar? hahaha

– Hahaha pois é. E você?

– Eu moro nesse prédio aqui ao lado. (tem apenas uma casa separando o meu prédio e o dele)

– Ah..Achei que você também morava no meu. E qual é seu andar?

Daí começamos com esse papinho besta de falar o andar e pra onde dava a vista da nossa janela, se as nossas janelas se achavam e tal..Até que eu me toquei que tava engraçado e espontaneamente falei:

– Ai, olha esse nosso papo né? hahaha como a gente é simpático, engatamos uma conversa só por causa da placa torta…

Dai nós dois rimos e demos tchau, mas antes nos apresentamos. Disse a ele que me chamava Renata e ele disse que se chamava Danilo.

Assim que cheguei no meu apartamento, fui olhar na minha janela e realmente, não dava pra ver a janela dele pq tem uma parte lateral do prédio dele que fica bem na frente, maaas…Imaginei que da janela da minha mãe já desse pra ver.

Fui pro quarto da minha mãe, ascendi a luz, abri a janela e veio a surpresa!

Dava pra ver a janela dele. E, como se não bastasse, ele tava lá pendurado na janela tentando ver a minha! Tava pendurado mesmo, tentando saír da janela dele até que sua visão alcansasse a janela do meu quarto. Demos de cara um pro outro e eu falei:

– Hahahaha não acredito que você ta aí!

– Pois é, agora da pra gente conversar!

Eu dei muita risada e meio que fiquei com vergonha mas o engraçado foi que os dois, assim que botaram o pé em casa, foram se olhar na janela. Eu meio que dei boa noite rápido pq as pessoas do meu prédio poderiam ouvir a gente conversando e berrando, já que eram 23:30 da noite. Fora que tem meu vizinho vizinho bonitão que mora lá no 8º andar e dá pro mesmo lado que a gente…Pior é que agora to com mó vontade de ir lá bisbilhotar de novo!

Parece que eu tenho um fetiche por vizinhos né? hahaha Não é isso. O pior é que acho que ele nem faz meu estilo, nem achei ele bonito mas…Achei a história engraçada. Quem sabe um dia não deixo um bilhetinho pra ele lá na porta com o nome dele e ganho um novo amigo? Pois não trocamos e-mail, telefone nem nada e eu nunca tinha visto ele por aí. A única coisa que sei agora é que tem um cara simpático chamado Danilo aqui no prédio ao lado.

A questão é: como conhecer um cara assim do nada e ir atrás dele, mandar bilhetinho, sem fazer ele pensar que eu to dando mole? Afinal, todos os caras que a gente é legal de graça, acham que a gente ta dando em cima. Se fosse pra acontecer alguma coisa, só aconteceria depois da gente se conhecer se ele me fizesse gostar dele pq fisicamente ele não me surtiu nenhum efeito.

Oi, posso ser sua amiga de graça sem ter que te pegar? Obrigada 😉

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