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Flerte no Elevador [Parte 2]

Alguém aí lembra do meu vizinho bonitão do 8º andar? Aquele com quem eu flertava no elevador? Aquele que usava terno e gravata, era lindo, educado e gentil? Aquele pra quem eu fiz um cartãozinho e entreguei através do porteiro? Então…

Muita gente, desde que leu os posts relacionados a ele, vem me pedir para continuar a história e eu nunca continuava pq simplesmente não tinha continuação. Na verdade, eu até encontrava ele às vezes mas nada acontecia, ele apenas era educado, lindo como sempre e normalmente a gente sempre se encontrava em dias péssimos do tipo: “acordei, me olhei no espelho e sou a pessoa mais feia do mundo”, sabe? Confesso que inúmeras vezes deixei o elevador passar direto pelo meu andar quando via que estava descendo pra, no caso de ser ele, a gente não se encontrar.

Passei um tempão sem vê-lo e ontem, subindo uma das ruas perto de casa, olho pro outro lado da calçada e vejo um bonitão de terno [sim, eu ainda morro de fetiches por homens de terno] e, observando melhor, notei que era o bonitão do 8º andar. Apressei o passo, tirei os fones de ouvido, comecei a arrumar o cabelo e rezei pra ele não olhar pra trás e me ver, toda desengonçada me arrumando.

Chegando no prédio, ele abriu o portão e só me viu quando ia fechar. Disse: “Opa! Oi Rê, tudo bem? Quanto tempo né?” Entramos no prédio, e chegando  no elevador, ele abriu a porta pra mim [claro] e entramos. Ele estava muito simpático. Dava pra sentir que ele estava feliz em me ver. Eu dei uma travada e ele resolveu perguntar: “Mas e ai Rê, como andam as coisas no trabalho?” Gente…Ele me chama de Rê! Tem coisa mais fofa? Eu falei que tudo bem e logo cortei falando que o vizinho lá de cima me contou que ele o ensinou a dar nó na gravata e eu tinha achado bonitinho. Ele, um pouco tímido, deu uma risadinha e explicou que como trabalhava em banco [boooring…] e dava o nó na gravata todo dia, já estava super acostumado. Infelizmente, como moro no 3º andar, meu andar chegou e eu fui saindo.

– Ah…Então tá, tchau né..

Ele deu um tchau sorrindo e eu fui embora. Dessa vez, notei que ele estava bem diferente que das outras. Ele me olhava nos olhos, me dava muita atenção…Parecia até que tava me dando bola mas eu pensei: “Ah…Como eu pago um pauzão pra ele, devo estar imaginando coisas né? Mesmo pq, o vizinho lá de cima me contou que ele tem namorada…” [PASMEM! Ele não é gay, porém namora].

Esse encontrinho foi o suficiente pra garantir meu bom humor na semana inteira. Daí hoje, resolvi esperar ele sair do metrô [meio escondida] pra gente se encontrar e conversar de novo. Sentei no banquinho da farmácia, era mais ou menos o mesmo horário de ontem, e fiquei esperando por ele. Confesso que fiquei lá uns 15 minutos e pensei: “Ai, como sou boba né? Pareço criança. Eu vou é embora pra casa!”. No caminho, no mesmo lugar que encontrei ele ontem, adivinham quem eu vejo? O PAI dele. hahaha Juro, foi muito azar e muita coincidência ao mesmo tempo. Eu fui até meu prédio, com passos de tartaruga, pra ele me alcançar caso estivesse chegando.
Foi totalmente falida a minha tentativa de encontrá-lo. Peguei o elevador, cheguei em casa, coloquei a bolsa na cama e sei-lá-pq-diabos resolvi descer. Só podia ser instinto do coração! Eu pensei: “Vou descer, falar qualquer coisa com o porteiro, ir até a esquina e voltar” tipo uma última chance.

Cheguei no térreo, abri a porta do elevador e QUEM ESTAVA ENTRANDO? Sim! Ele! O vizinho bonitão! Meu coração foi pra boca e ele, já abrindo um sorriso falou: “Vai subir Rê?” – OI? eu tinha acabdo de descer? – hahaha mas daí respondi: “Vou. Peraí! […] ah, não, pode subir vai…” eu pensei que daria muito na cara se subisse com ele. Daí ele falou: “Não, eu te espero!” [nessa hora minha cabeça tava a mil tentando arranjar uma pergunta idiota e rápida pra fazer pro porteiro e pegar logo o elevador] Olhei pra cara do porteiro e ele me olhou com cara de interogação. Eu gaguejei:

– Ai…não tenho nada pra te falar.

– ???????????

– É…Meu irmão saiu que horas mesmo?

– …umas 4 e pouco. [detalhe, ele tinha me dito isso ha 2 minutos qdo eu subi pela 1ª vez…Será que ele entendeu tudo? hahaha fora que era o mesmo que eu tinha pedido pra entregar o cartão naquela vez!]

Vi uma mulher chegando no portão e corri pro elevador. Ele segurou a porta pra mim, mas não esperou a mulher. Logo vi que era pra ficar sozinho comigo, afinal, educado como ele é, esperaria a mulher né? Daí fomos conversandinho nem-me-lembro-o-que no elevador e rapidamente chegou no meu andar. O assunto ainda não tinha acabado e eu fiquei conversando com ele na porta. Enquanto ele falava algo sobre os horários dele ou como ele ia pro trabalho eu disse: “Ai, tem uma  moça lá em baixo esperando o elevador, melhor não prender a porta….” [não me chamem de idiota mas coitada da mulher…] Ele então, num movimento rápido, saiu do elevador e logo me vi com ele, sozinha no hall do meu apartamento.

Ele saiu do elevador só pra conversar mais comigo! Dava pra notar que os dois estavam meio sem jeito e com a maior vontade de conversar mais. O assunto na verdade nem importava, afinal, estávamos juntos. [hahaha só pra romantizar um tico]. Mas depois de falar sobre trabalho, ônibus, metrô, descobrir que trabalhamos perto e ele me oferecer carona pro trabalho todo dia quando pegasse o carro novo, eu falei assim pra ele:

– Você lembra o cartãozinho que eu te dei?

– Lembro sim, claro! Guardo ele até hoje!

– Ounnn..Então, é que nem tive oportunidade de explicar o pq eu fiz..Você sabe pq eu fiz?

– Ah, foi por causa daquele dia do elevador né?

– É..É que aquele dia você tava mó simpático comigo e eu tava super de mau humor e no final da conversa perguntei se vc acordava de bom humor e vc ficou meio sem jeito..Afinal, que pergunta foi aquela né? Daí fiquei com peso e resolvi te fazer aquele cartãozinho 🙂

– Po, eu adorei! hahaha você trabalha num lugar que faz isso né? Nossa eu acho um máximo essas coisas, eu adoooro! [ele realmente mostrou uma empolgação fora do normal]

Eu imitei ele falando adoooro e ri da cara dele. Ele comentou da luz do hall que estava meio desajustada pq ficava apagando toda hora. Nós rimos. Estava na cara que ele inventava assuntos aleatórios só pra continuar falando comigo alí no hall.

O elevador chegou de volta. Eu disse um tchau já meio que indo embora e ele estendeu o braço, pegando no meu ombro, pra me dar um beijo no rosto. Eu puis a mão na cintura dele, toquei naquele lindo terno e retribui o beijo no rosto dando boa noite.

Abri a porta da minha casa. Entrei. Fechei. E só não dei um grito de alegria pq ele ouviria do elevador. Só sei que fiquei com as pernas trêmulas. Me senti como uma menininha que tem seu 1º amor na escola e ele diz “oi” pra ela pela primeira vez 🙂

Estou pensando em fazer um cartãozinho pra ele e entregar num dia conveniente dizendo: “Queria que nosso prédio tivesse cem andares e a gente morasse nos últimos.”

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Ele se chama André

AVISO: Antes ler este post saiba que ele só está aqui para servir como lembrança de algo legal que aconteceu comigo. Já é o 3º post que faço sobre meu amigo do ônibus e acho que já ta enchendo mas como o blog é meu, pra mim e pra quem mais quiser ler, resolvi postar para daqui ha uns anos poder ler e relembrar exatamente como as coisas aconteceram. A história é super legal pra mim, pode ser que seja pra você também [ou não].

Cheguei no ponto de ônibus. Chuva. Dia feio. Chegou o Shop. Ibirapuera e eu entrei, ele estava cheio como nunca – acho que por causa do tempo. O cobrador comentou comigo que estavam super atrasados e eu concordei. Fui desviando das pessoas no corredor e avistei um banco que tinha acabado de ficar vago mas com certeza já teria gente pra sentar. Um cara de preto na minha frente sentou na janela e as 2 mulheres que estavam em volta não. Eu perguntei: vocês querem sentar? E elas disseram que eu podia. Eu agradeci e quando estava sentando, olhei pro cara ao lado e QUEM ERA?! Meu amigo do ônibus! Oh my god, foi um choque! No susto do momento, eu solucei um oi, e ele, já com um sorriso retribuiu. Na minha cabeça, durante uma fração de segundo fiquei pensando: ai meu deus, sentei do lado dele e agora? Será que vamos conversar? Devo falar algo? Ignorar? …depois dessa fração ele diz: e ai, muito frio? …ai não! como se não bastasse meu nervosismo de não saber se falo ou não com ele, ele vem e me puxa o assunto mais manjado do mundo!

Eu, sem querer ser seca mas já sendo respondi: Ah, acabei de subir o escadão, to até com um calorzinho… [e fim] Ele sorriu e paramos a conversa. Acho que ele percebeu que eu não queria papo. Bom, o ônibus continuou seu trajeto e nós permanecemos quietos. Durante tooodo o caminho, eu imaginei mil coisas. Será que ele está pensando na situação? Pq nós estamos sentados um ao lado do outro mas estamos em silêncio! Será que ele também está achando constrangedor? Será que pensa mal de mim? Será que eu sou louca pensando em tudo isso e ele está apenas olhando a chuva caír na janela do ônibus? Ou vendo as pessoas baterem seus guarda-chuvas andando pela calçada? Ok. Eu estava me sentindo mal. Era uma oportunidade única, com certeza o destino tinha juntado a gente naquele dia pra sentarmos um do lado do outro e se conhecer. Conhecer? Mas peraí! Lembra que eu não queria?

Bom…Tinha que pensar em algo pra falar, mas que fosse anormal. Algo que fizesse ele perceber que eu não queria papo mas que queria falar com ele. Ele ia me achar louca. Mas resolvi perguntar umas coisas, pois se não iria me arrepender. Passei horas ensaiando o jeito de falar pra não dar oportunidade de acabar o assunto e surgir uma conversa convencional. Teve até um momento em que eu me virei pra ele, coloquei a boca em posição de fala e desisti. Ele não viu, é claro, mas eu me senti uma perfeita idiota. E se não conseguisse falar, ia me sentir mais idiota ainda. Vai Renata, você não é toda extrovertida? Fala! Não pensa! Fala! Ó, na próxima vez que o ônibus parar no farol você fala heim? Não, agora um carro buzinou, espera parar. Vai! Fala! Ta..espera virar a rua e fala. Ok, virou. GLUPT…

Você acha estranho o fato de eu não querer falar com você? eu disse…

Ele respondeu que não.

Mas você entende o motivo? É engraçado né?

Ah, acho que sim.

Ele respondia as coisas meio diretas e sem dar espaço para uma retrucada mas eu sempre continuava: Você deve me achar a pessoa mais estranha do mundo! e ele: Ah…não…Era engraçado o modo como ele respondia pq eu tinha que arranjar outra coisa bem rápido pra falar sem ficar constrangedor. Você guardou aquilo que eu te dei? [me referindo ao mini-livro] e ele: Guardei sim… eu: Mentira! Sério? Guardou mesmo? ele: Sim, ta guardado. Então eu disse: Você entendeu o propósito daquilo? E ele: Acho que entendi. Então eu quis deixar claro que não tinha sido um mini-livro de amor e disse: Mas não vai pensar que tem algo a ver com.. Ele: Não não, eu sei! Mas eu acho legal continuar assim do jeito que tá. Pq a gente se encontra todo dia no ônibus e tal…E eu: Ah, eu tb acho legal assim. Ta, eu estraguei um pouco falando com vc né? Mas não me aguentei. Ok, fim do assunto. Pra sempre! e ele: Ta, pra sempre.

[…]

Mas eu não sei nem seu nome! eu disse…E ele riu. Ok, então só me fala seu nome. Ele demorou um pouquinho pra responder, deu uma mini pensada e disse: André. E eu: Que legal, sabia que se eu tiver um filho ele vai se chamar André? Acho um nome lindo. Ele sorriu e perguntou meu nome. Eu disse: Renata :]

O silêncio voltou. Mas dessa vez por pouco tempo. Chegou no ponto em que descemos e eu me levantei. Ele, logo atrás de mim foi se levantando também…Quando desci a escada do ônibus e pisei na calçada ele disse: Tchau Renata, bom trabalho! e eu: Tchau André, pra você também.

Fim.

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Utilidade Pública

Esses dias estava no ônibus e reparei na janelinha do ônibus ao lado, um adesivo novo daqueles que explicam que os bancos amarelos são direcionados a pessoas ‘especiais’. Antes, os adesivos alertavam que os bancos especiais eram para gestantes, idosos, pessoas com crianças no colo e cegos [não me lembro se cegos se encaixam no espaço onde fica a cadeira de rodas também, mas enfim…] Agora, colocaram o pictograma de uma pessoa gordinha ao lado desses, ou seja, os bancos especiais também são destinados a pessoas obesas.

Eu sempre respeitei os bancos especiais e faço questão de levantar se chegar alguém com mais necessidade de sentar do que eu – mesmo que eu esteja em um dos bancos normais. Na verdade sou corretinha, me coloco no lugar das pessoas e sempre acabo levantando ou perguntando se a pessoa quer que eu segure sua bolsa etc.

Hoje, sentei em um dos bancos amarelos e num dos pontos seguintes, entrou uma moça obesa – uma que geralmente pega o mesmo ônibus que eu várias vezes. Me lembrei do pictograma de pessoas obesas, olhei para cima e lá estava ele com a frase explicativa logo abaixo. Confesso que fiquei um pouco sem graça de perguntar se a moça queria sentar, fiquei pensando se ela iria se ofender por eu estar oferecendo o lugar pra ela por ela ser obesa…Pois era nova, e estaria totalmente evidente que seria por seu peso. Sem pensar muito, optei pelo politicamente correto, levantei e disse: ‘moça, quer sentar?’ e ela: ‘não não, obrigada!’ eu tentei insistir um pouco dizendo que desceria logo [mentira] mas ela, simpática, agradeceu e disse que não.

Eu sorri e sentei no banco de novo. Passei o caminho inteiro me sentindo um pouco mal por ela ter recusado, sem saber se tinha achado chato eu oferecer, ou se tinha achado educado…Se ela ficou constrangida e por isso não aceitou. O que seria ético fazer neste caso? O ônibus esse horário estava super cheio e ela, além de ficar apertada aguentando seu próprio peso em pé, ocupava um pouco o espaço das outras pessoas. As vezes ela apenas queria ter o direito de ir em pé o trajeto inteito, mas também pode ter se sentido ofendida com a minha atitude.

No final, ela acabou descendo um ponto antes que eu, e com certeza viu que não era verdade que eu ia descer logo e que estava apenas querendo ser gentil.

Acho que minha intenção foi boa, por isso não me arrependo…Mas se ocorrer uma situação dessas de novo, acho que não vou perguntar, vou apenas levantar sem dizer nada. O ruim é se uma pessoa nova e magra como eu pegar o banco e meu plano ter ido por água abaixo! Mas é um risco a se correr, não é mesmo?!

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A 1ª vez que falei com ele.

Hoje, 29/08/08, pela primeira vez falei com meu amigo do ônibus. [aquele do post anterior, que dei o mini livro]
Encontrei ele de manhã no ponto e pegamos o mesmo ônibus, trocamos sorrisos. Na hora do almoço, quando voltava pro meu trabalho, o encontrei atravessando a rua no sentido contrário do meu. Não hesitei e na hora em que nos cruzamos, dei meia volta bem ao lado dele e comecei a andar sorrindo; ele disse: ‘Oi!’ [e sorriu]; eu disse: ‘Oi, você viu o sol hoje?’ e ele: ‘não…o que tem?’ e eu respondi: ‘olha pra ele…’ ele olhou meio confuso, dizendo: ‘ai, é difícil!’ [o sol refletia nos oclinhos de grau dele, escondendo seus olhos claros] e eu ajudei ele falando: ‘calma, pode por a mão em frente ao sol e olhar em volta…’ ele: ‘nooossa! que legal!’ e eu: ‘lindo né? se chama halo solar, procura na internet depois!’ ele deu uma risadinha simpática e eu dei tchau, virando as costas e atravessando a rua de novo. Isso durou uns 8 segundos.
Foi a 1ª vez que ouvi sua voz, mas nos falamos como se já nos conhecêssemos.

Fim.


ps. esta é a foto do halo solar que mostrei pra ele

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Meu Amigo do Ônibus

Desde novembro do ano passado, eu pego o mesmo ônibus no mesmo ponto e no mesmo horário para ir trabalhar. Já passei por 3 empregos diferentes mas o ônibus e o horário continuam os mesmos. E o cara também continua o mesmo. Mas, cara? Que cara?

É, tem um cara que, durante todo esse tempo, me acompanha pegando o mesmo ónibus todo santo dia. Ele sempre está de terno e gravata indo pro trabalho, é narigudo e tem cara de nerdinho. Parece ser super sério, responsável e correto. Nunca reparei muito nele, por ser a pessoa mais neutra do mundo, mas conforme o tempo passava e as pessoas de sempre iam mudando e/ou sumindo, ele nunca mudava muito menos sumia. Sempre estava ali, com a mesma cara, mesma roupa, o mesmo corte de cabelo e o mesmo ar de…’nada’.


Eu consigo imaginar a vida inteira dele na minha cabeça: é noivo de uma nadinha também [pois ele usa aliança de ouro na mão direita], deve trabalhar com algo bem chato tipo contabilidade ou administração, e sai pontualmente às 18 horas para ir pra casa. [durante o almoço eu encontro ele nas mediações de Pinheiros, pois descemos no mesmo ponto também e saímos para almoçar no mesmo horário]. Como eu sei que ele sai as 18? Porque eu também saio, e encontro o dito cujo no ponto para irmos pra casa juntos – descendo no mesmo ponto de novo.

É engraçado pois eu sinto como se o conhecesse intimamente. Eu sei que ele existe, e fico feliz quando o vejo no ponto de manhã ou quando entro no ôbinus para voltar pra casa e ele está passando pela catraca. Gosto quando vejo ele dando um sorriso e me sinto segura com a presença dele. Me faz sentir menos solidão, sabe?

Ele também sabe que eu existo. E, se for como eu, também deve imaginar minha vida toda. Nunca rolou nada de olhares, paquerinha…Mesmo porque, além dele ser comprometido, ele é feinho e não me atrai em nada. Muito pelo contrário! Eu sinto que se o conhecesse, iria achá-lo muito chato. Ele deve ser a pessoa mais sem graça do mundo para se ter uma conversa. Não deve ter coisas engraçadas para contar, não deve se interessar pelas coisas que eu gosto e deve ser aquelas pessoas que ficam esperando você arranjar um assunto para manter uma conversa.

Mas mesmo com tudo isso, eu sentia que precisava fazer alguma coisa por ele. Mesmo morrendo de medo, resolvi fazer um mini-livro. Na capa desenhei ele e dentro escrevi assim: “Sempre quis saber seu nome, onde mora, o que faz, com que trabalha e se é feliz ou triste…Mas não me conte! Se não perde toda a graça!”. Pensei muito antes de entregar. Qualquer passo em falso poderia fazê-lo vir falar comigo ou se afastar pensando que eu queria dar uns amassos com ele. Na verdade, o que eu queria mesmo era mostrar pra ele que eu percebia a existência dele no mundo e fim.


Dias tomando coragem e passando por alguns desencontros, desci do ônibus antes dele e quando ele deseu eu disse: “Oi, fiz uma coisa pra você…” [entregando o mini-livro em sua mão]. Ele pegou, meio que sem entender nada e antes que pudesse esboçar uma reação,eu disse sorrindo: “Tchau!” – ele deu uma risadinha tímida e disse: “Tchau..” [foi a primeira vez que ouvi sua voz]

Andei até o trabalho sem olhar para trás. No dia seguinte de manhã, subi o escadão e quando enxerguei o ponto ele estava lá, como sempre igual. Eu não sabia muito bem como me comportar, mas chegando perto dele, fui recebida com um lindo sorriso. Retribui com outro e fui mais pro lado. Fiquei ali estática, pensando o quanto foi legal ele não ter vindo falar comigo mas ter sido singelo dando um sorriso.

Desde entao, sempre que nos encontramos, trocamos sorrisos e ele até já se arriscou a me dizer “bom dia”.

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