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A Placa Continua Torta…

Hoje acho que faz uma semana que conheci o Danilo, meu amigo da placa torta. Voltando da aula de teatro, achei que ia encontrar ele de novo [confesso que andei até mais devagar pra chegar em casa na esperança dele me alcançar] mas nada.

Quero muito me comunicar com ele! Pensei em deixar um bilhete se a janela dele estivesse apagada, pra ele ver quando chegasse em casa, mas quando abri a minha janela, vi que a dele já estava acesa, ou seja…Ele chegou antes de mim 😦

Que sem graça né? Resolvi escrever o bilhete mesmo assim. Vai que ele vê amanhã de manhã? Pensei na hipótese também, dele ter uma namorada, que vai chegar daqui a pouco e assim que chegar na porta do prédio vai ver um bilhete escrito o nome do namorado dela – e claro que ela vai abrir pra ler – daí ela faz um escândalo perguntando quem é essa mequetrefe que escreveu um bilhetinho pra ele e deixou na porta! Ele pode dizer que não é o Danilo do bilhete. Pode dizer que tem outro Danilo no prédio. Pode dizer que tem alguém lelé da cuca e que ele não faz idéia de que se trata o assunto do bilhete e se faz de desentendido. Ou pode ser sincero e contar que um dia fez uma amiga na rua, aleatoriamente! [risquei a última opção pq é óbvio que ela é totalmente impossível]. Pode acontecer também, do cara que mora no primeiro andar chegar/saír antes dele e não aguentar de curiosidade pra ler o bilhete [eu leria!] Ou o zelador do prédio vai limpar a entrada e vai ver um papel grudado no vidro, tirando ele sem a menor sensibilidade e jogando no chão, naquela água cheia de desinfetante deixando o pobre do bilhete todo borrado e molhado, pq eu escrevi com caneta esferográfica. Ou pior! Chover e borrar o bilhete inteiro, deixando ele intácto porém ilegível.

Bilhete

…enfim. Muitas coisas podem acontecer com esse bilhete, e acho que essa é a parte legal da história. Esperar um bilhete de volta? Nunca mais ver o Danilo na vida? Encontrar, finalmente, a placa da nossa rua desentortada? Aguardo cenas do próximo capítulo incerto.

Imagens para comprovar a veracidade da minha história:

Bilhete na porta(o bilhete grudado na porta do prédio dele)

placa-torta(a placa torta)

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O Amigo da Placa Torta

Estava eu, linda e loira voltando da minha aula de teatro, quando chego na esquina do meu prédio e vejo que a placa, escrito Rua Cayowaá, está totalmente torta como se um carro tivesse batido nela. Eu, num ato totalmente falho, tento empurrá-la com o braço pra desentortá-la mas claro, com essa minha força de leão, não consegui nem que a placa se mexesse um tiquinho.

Quando vejo, tem um carinha vindo bem atrás de mim, e penso: “Ok, ele deve estar me achando uma idiota toda magrelinha, pensando que vou conseguir desentortar essa placa né?!” E como quando eu fico com vergonha eu falo, resolvi chegar pra ele e fazer uma piada pra quebrar o gelo e ser menos ridícula:

– Até parece que eu ia conseguir desentortar a placa com esse meu tamanho todo né?

Ele deu uma risada, aceitou bem a piada e eu completei: “Poxa, você que devia tentar desentortar, é bem mais fortinho do que eu…” (Falei isso pq ele tava de shorts e regata, como quem está voltando da academia e gosta de dar uma malhadinha). Daí, só pra não ficar aquela coisa de risadinha e fim, resolvi puxar um assunto perguntando se ele morava na rua Cayowaá mesmo e ele disse:

– Sim, moro aqui nesse prédio. (apontando pro prédio que estava bem na nossa frente)

– Ah…Legal..Em que andar você mora?

(tempinho pensando…) Moro no quinto…Não, não..No terceiro!

– Poxa, mas esse prédio tem tão poucos andares e você ainda tem que pensar? hahaha

– Hahaha pois é. E você?

– Eu moro nesse prédio aqui ao lado. (tem apenas uma casa separando o meu prédio e o dele)

– Ah..Achei que você também morava no meu. E qual é seu andar?

Daí começamos com esse papinho besta de falar o andar e pra onde dava a vista da nossa janela, se as nossas janelas se achavam e tal..Até que eu me toquei que tava engraçado e espontaneamente falei:

– Ai, olha esse nosso papo né? hahaha como a gente é simpático, engatamos uma conversa só por causa da placa torta…

Dai nós dois rimos e demos tchau, mas antes nos apresentamos. Disse a ele que me chamava Renata e ele disse que se chamava Danilo.

Assim que cheguei no meu apartamento, fui olhar na minha janela e realmente, não dava pra ver a janela dele pq tem uma parte lateral do prédio dele que fica bem na frente, maaas…Imaginei que da janela da minha mãe já desse pra ver.

Fui pro quarto da minha mãe, ascendi a luz, abri a janela e veio a surpresa!

Dava pra ver a janela dele. E, como se não bastasse, ele tava lá pendurado na janela tentando ver a minha! Tava pendurado mesmo, tentando saír da janela dele até que sua visão alcansasse a janela do meu quarto. Demos de cara um pro outro e eu falei:

– Hahahaha não acredito que você ta aí!

– Pois é, agora da pra gente conversar!

Eu dei muita risada e meio que fiquei com vergonha mas o engraçado foi que os dois, assim que botaram o pé em casa, foram se olhar na janela. Eu meio que dei boa noite rápido pq as pessoas do meu prédio poderiam ouvir a gente conversando e berrando, já que eram 23:30 da noite. Fora que tem meu vizinho vizinho bonitão que mora lá no 8º andar e dá pro mesmo lado que a gente…Pior é que agora to com mó vontade de ir lá bisbilhotar de novo!

Parece que eu tenho um fetiche por vizinhos né? hahaha Não é isso. O pior é que acho que ele nem faz meu estilo, nem achei ele bonito mas…Achei a história engraçada. Quem sabe um dia não deixo um bilhetinho pra ele lá na porta com o nome dele e ganho um novo amigo? Pois não trocamos e-mail, telefone nem nada e eu nunca tinha visto ele por aí. A única coisa que sei agora é que tem um cara simpático chamado Danilo aqui no prédio ao lado.

A questão é: como conhecer um cara assim do nada e ir atrás dele, mandar bilhetinho, sem fazer ele pensar que eu to dando mole? Afinal, todos os caras que a gente é legal de graça, acham que a gente ta dando em cima. Se fosse pra acontecer alguma coisa, só aconteceria depois da gente se conhecer se ele me fizesse gostar dele pq fisicamente ele não me surtiu nenhum efeito.

Oi, posso ser sua amiga de graça sem ter que te pegar? Obrigada 😉

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Flerte no Elevador [Parte 4]

Gente, to passada! Fiquei até mais tarde no trabalho hoje e quando cheguei tava afim de papear, fiquei conversando horas com o Edeilson, meu porteiro…Sabe o que descobri?

Que depois deu ter dado o cartãozinho pro meu vizinho bonitão [vide o 2º capítulo do Flerte no Elevador] ele deixou um bilhetinho pra mim na portaria e NÃO ME ENTREGARAM! Pelo jeito, o bilhete foi perdido, esquecido e jogado no lixo em alguma outra dimensão do universo! 😦

O Edeilson não leu o bilhete. Mentira! Ele leu sim, e enquanto eu escrevia esse post, acho que ele sentiu peso na consciência e me interfonou contando toda a verdade! O bonitão, no dia seguinte, perguntou quem tinha deixado aquele cartão e falou: “Poxa, mas ela não deixou nenhum telefone nem nada preu agradecer? Vou deixar um bilhete pra ela.” Ele subiu até seu apartamento e voltou com um bilhetinho pra mim escrito: “Oi Re, adorei seu cartão, me liga pra eu poder te agradecer: xxxx-xxxx”

Aaaaaaaaaah! Ele me deixou o telefone dele! E ninguém me entregou! Eu aqui achando que ele tinha ignorado meu lindo cartão, até fiquei brava pq ele nem se deu ao trabalho de deixar um mísero bilhete agradecendo mas poxa! Ele deixou. Com o telefone! No final, ficou parecendo que a desinteressada da história toda era eu!

Escrevi outro bilhete, que dessa vez me certifiquei com o Edeilson que será mesmo estregue, dizendo: “Du, fiquei sabendo que há anos atrás quando te dei aquele cartão, você deixou um bilhete pra mim na portaria mas não me entregaram. Fiquei com o coração partido e achei que você nem tinha ligado. O que você dizia no bilhete? Um beijo, Re.”

Antes do Edeilson ter me contado o que havia no bilhete, eu já tinha criado mil hipóteses do que poderia estar escrito nele né..Desde “Oi Re, adorei o cartão que você me deu, beijos Edu” até um “Re, amei seu cartão, eu também adoro pessoas que acordam de bom humor. Que tal um vinho hoje a noite?! Te espero, todo seu, Du.” [hahahaha brinks] Mas acho que o bilhete dele foi um misto dos 2. Ele meio que agradeceu e passou o telefone. Hãn? Hãn?

Bom, só quis atualizar vocês das novidades. Ah, outra coisa: ele ta de carro novo. Um carrão importado que de acordo com a minha mãe é carro de coroa ricão. Aliás, minha mãe disse que eu devo investir mais nele já que ele ta com essa bola toda. Vê se pode? Hahaha…Enquanto eu conversava com o Edeilson, ouvi um “E ai Re! Tudo bem?” …era ele saindo do elevador e indo pra academia. Só demos oi de longe pq ele desceu pra garagem. Vestia uma regata e um shortinhos. Ok, a roupa não era assim aquele charme mas ó…Ele tem um corpitcho que ôôô lá em caaasa viu!

Edeilson me disse que dessa vez ele mesmo vai entregar o bilhete, já que da última vez ele deixou lá em cima com o meu nome e ninguém nem tchum! Agora, é só esperar o próximo capítulo!

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Beijo na Faria Lima

A Brigadeiro Faria Lima [importante avenida de São Paulo, pra quem não sabe] é uma coisinha de deus né? Cada vez que a atravesso, me apaixono. É assim, uma paixão a cada farol. É o paraíso dos caras bonitos de terno e gravata que me matam do coração. Eles são cheirosos, bonitos, elegantes, trabalhadores…Ainda bem que eu trabalho na Rebouças e todo santo dia sou obrigada a atravessar essas ruas comerciais cheias de executivinhos.

Pois bem. É uma rotina. E nas rotinas, muitas vezes estão presentes as mesmas pessoas. Mesmos horários, mesmos trajetos…Enfim, esse bla bla bla todo da vida cotidiana. Já conheço muitos rostinhos que passam pelo mesmo caminho que eu e cruzam a minha vida todos os dias. Eles fazem parte dela.

Ontem, um amigo me chamou pruma festa meio vip, e lá eu avistei um rostinho conhecido. Sim, era ele! Um dos bonitos que atravessa a Faria Lima cruzando comigo e fazendo do meu dia um pouquinho mais feliz Festa vai, vodka vem..Já tinha reparado que ele sabia quem eu era. Assim que comentei com meu amigo sobre ele, ele também estava falando pros amigos dele sobre mim. Eba! Já que ele me reconheceu, era a brecha pra ir lá puxar assunto. Claro né, EU teria que ir falar com ele pq apesar de não estar acompanhado, todo homem é muito mole e com ele não foi diferente.

Depois de um tempo observando o que ele fazia e qual era o melhor momento para abordá-lo, peguei e fui. Ele sabia exatamente de onde eu era e falou que todos os dias de manhã atravessava a rua comigo. Legal né? Confesso que eu mesma demorei um tico pra lembrar de onde nos ‘conhecíamos’.

Conversamos bastante, ele era super legal. Eu contei da minha paixonite por pessoas desconhecidas, contei que ele  super fazia parte da minha vida e que adorava caras de terno e gravata. [pena que ele não usava]

Então, ele disse que um dia iria de terno e gravata pro trabalho, e bem no momento em que a gente estivesse atravessando a Faria Lima, ele me daria um beijo. Tipo de filme sabe? Como se os 2 se apaixonassem perdidamente na troca das luzes do farol, se beijassem arrebatadoramente no meio da rua e fossem embora, cada um pro seu lado, pro seu trabalho, pra sua vida.

Fim. Ficou combinado assim. Não nos beijamos na festa. Não rolou carinhos nem nada disso. Só esse combinado. Ele vai realizar meu sonho de beijar um cara bonito e desconhecido na rua, de terno e gravata, indo trabalhar. [O terno seria só um detalhe, tipo a cerejinha do bolo. Mas se ele estiver sem, tudo bem. Vai ser legal mesmo assim.]

Agora é só esperar.

beijo-faria-lima

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Minha vida numa viagem de metrô

AVISO: Este post contém histórias inventadas baseadas em fatos reais. Imagine 😉

Zona Oeste de São Paulo. Metrô, linha verde. Mais especificamente na estação Vila Madalena. É nela que eu sempre começo uma viagem nova. Viagem que pode ir até a Consolação apenas, mas que não deixa de ser interessante pelo tamanho da distância. Ontem, andando naquele trem novo e bonito [que mais parece um hospital], eu comecei com meus devaneios.

Acho que cada viagem de metrô é como uma vida diferente. Assim que você entra no vagão, você começa a viver uma história. Conflitos, amores, cheiros, olhares…Tudo de mais legal está presente! Da pra criar várias tramas. E ontem, comecei a fazer isso. Resolvi escrever pra vocês.

Estava lá eu olhando praquele cara ruivinho e simpático. Eu sabia que o conhecia de algum lugar, ele era ator de propagandas. Estava um super frio e ele entupido de casacos. O que era muito estranho, pois suas pernas eram finas e seu tronco grosso, deixando ele totalmente desproporcional. Mesmo sendo meio tortinho, tive a maior vontade de conversar com ele. Ele me parecia legal e imaginei que poderíamos ser amigos. Então, elegi ele como o melhor amigo da minha história. A gente conversava por horas, ria, desenhava…Nos entendíamos muito bem. Seu nome era Bernardo.

O Ber só ficava meio chateado comigo, quando o Pedro estava por perto. Pedro era o cara que eu estava afim. Ele era alto, magro e tinha olhos claros que iluminavam seu rosto em meio a tantos fios de cabelo castanho. Usava sneakers e estava sempre com seus fones de ouvido. Nós trocávamos olhares e vez ou outra alguns sorrisos. Deixava Bernardo falando sozinho enquanto olhava pro Pedro e esperava ganhar uma atençãozinha a mais. Até que resolvemos conversar, e foi aquela coisa gostosa sabe? De dar risadas tímidas, pegar no braço, encostar na mão…Numa brecada brusca do metrô, acabamos dando nosso primeiro beijo. Bernardo ficou só ali no cantinho olhando, e como um bom amigo, acabou ficando super feliz por mim.

Eu acabei arranjando tempo para os 2. Pedro não tinha ciúmes de mim com o Bernardo, e entendia que éramos apenas amigos. Vivíamos otimamente bem. Sempre que sentíamos fome, a tia Bernadete, aquela velhinha sentada no banco cinza especial para idosos, nos dava um pão de queijo quentinho que tinha acabado de pegar na padaria pra levar para seu marido em casa. Ela era um amor de pessoa e estava sempre sorrindo.

Apesar de me dar super bem com Pedro, sentia um certo vazio em nosso relacionamento. Parecia-me sempre que algo estava prestes a acontecer e que eu o perderia para sempre. Num dado momento, entrou no vagão a Larissa, uma menina loira, peituda, gostosa e burra, do tipo que leva todos os olhares para a sua direção. Pedro, como um homem normal, também olhou. Me senti traída, mas continuava apaixonada. Larissa fez um charme, mas logo desceu na estação seguinte, me deixando tranquila em relação ao meu amor.

Teve uma hora que eles quase arranjaram briga por minha causa. Osaías, aquele gordo nojento, entrou no trem e me deu um belo empurrão. Daqueles que fazem a gente quase se estabacar no chão, sabe? Pedro olhou pra ele com um olhar sério e Bernardo chegou até a sacudir a cabeça num ato de total desaprovação. Osaías, aquele suíno, nem ligou e foi se sentar num banco longe de nós.

As coisas iam muito bem. Bem até demais. Estava mostrando o livro que lia para meu amigo Bernardo, até que Pedro me olhou profundamente nos olhos e sem dizer nada, saiu pela porta do trem assim que ela abriu. Achei que era brincadeira, mas olhando ele lá fora e vendo a porta se fechar, vi que ele nunca mais voltaria. Ele deu uma última olhada pra mim pela janela do trem, e partiu. Infelizmente era mais um amor acabado em minha vida. Daqueles que cortam o coração, que nos deixam triste e com vontade de chorar. Nem a presença de Bernardo me deixava feliz naquela altura. Minha vida tinha acabado. A graça que eu via naquilo tudo, não existia mais.

Ainda bem que meu fim estava próximo. Estávamos chegando na estação final. Bernardo também ia descer nela, mas como tudo tinha perdio o sentido para mim, não nos falamos mais. Tia Bernadete já tinha ido embora em alguma estação sem eu nem ver e Osaías, o nojentão? Não quis nem olhar pros lados para ver onde ele estava.

As portas se abriram. A voz da moça do metrô anuncia: “Estação final, Vila Madalena. Favor desembarcar nesta estação”.  Todos nós já estávamos esgotados. Parecia que nossas vidas tinham mesmo acabado ali. Aquela viagem de metrô não fazia mais o menor sentido e tudo que queríamos era chegar em casa, sãos e salvos.

Foi o que fizemos. Descemos do vagão, subimos as escadas rolantes em silêncio, atravessamos a catraca e finalizamos nossa vida juntos, sem trocar olhares. A história tinha acabado ali, para no dia seguinte, dar lugar a outra que começaria. Novos amores breves de metrô. Novas amizades, afetos e até mesmo desgostos. Tudo muito breve mas não menos real. A vida é mesmo uma caixinha de surpresas. E andar de metrô é igual.

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Ele se chama André

AVISO: Antes ler este post saiba que ele só está aqui para servir como lembrança de algo legal que aconteceu comigo. Já é o 3º post que faço sobre meu amigo do ônibus e acho que já ta enchendo mas como o blog é meu, pra mim e pra quem mais quiser ler, resolvi postar para daqui ha uns anos poder ler e relembrar exatamente como as coisas aconteceram. A história é super legal pra mim, pode ser que seja pra você também [ou não].

Cheguei no ponto de ônibus. Chuva. Dia feio. Chegou o Shop. Ibirapuera e eu entrei, ele estava cheio como nunca – acho que por causa do tempo. O cobrador comentou comigo que estavam super atrasados e eu concordei. Fui desviando das pessoas no corredor e avistei um banco que tinha acabado de ficar vago mas com certeza já teria gente pra sentar. Um cara de preto na minha frente sentou na janela e as 2 mulheres que estavam em volta não. Eu perguntei: vocês querem sentar? E elas disseram que eu podia. Eu agradeci e quando estava sentando, olhei pro cara ao lado e QUEM ERA?! Meu amigo do ônibus! Oh my god, foi um choque! No susto do momento, eu solucei um oi, e ele, já com um sorriso retribuiu. Na minha cabeça, durante uma fração de segundo fiquei pensando: ai meu deus, sentei do lado dele e agora? Será que vamos conversar? Devo falar algo? Ignorar? …depois dessa fração ele diz: e ai, muito frio? …ai não! como se não bastasse meu nervosismo de não saber se falo ou não com ele, ele vem e me puxa o assunto mais manjado do mundo!

Eu, sem querer ser seca mas já sendo respondi: Ah, acabei de subir o escadão, to até com um calorzinho… [e fim] Ele sorriu e paramos a conversa. Acho que ele percebeu que eu não queria papo. Bom, o ônibus continuou seu trajeto e nós permanecemos quietos. Durante tooodo o caminho, eu imaginei mil coisas. Será que ele está pensando na situação? Pq nós estamos sentados um ao lado do outro mas estamos em silêncio! Será que ele também está achando constrangedor? Será que pensa mal de mim? Será que eu sou louca pensando em tudo isso e ele está apenas olhando a chuva caír na janela do ônibus? Ou vendo as pessoas baterem seus guarda-chuvas andando pela calçada? Ok. Eu estava me sentindo mal. Era uma oportunidade única, com certeza o destino tinha juntado a gente naquele dia pra sentarmos um do lado do outro e se conhecer. Conhecer? Mas peraí! Lembra que eu não queria?

Bom…Tinha que pensar em algo pra falar, mas que fosse anormal. Algo que fizesse ele perceber que eu não queria papo mas que queria falar com ele. Ele ia me achar louca. Mas resolvi perguntar umas coisas, pois se não iria me arrepender. Passei horas ensaiando o jeito de falar pra não dar oportunidade de acabar o assunto e surgir uma conversa convencional. Teve até um momento em que eu me virei pra ele, coloquei a boca em posição de fala e desisti. Ele não viu, é claro, mas eu me senti uma perfeita idiota. E se não conseguisse falar, ia me sentir mais idiota ainda. Vai Renata, você não é toda extrovertida? Fala! Não pensa! Fala! Ó, na próxima vez que o ônibus parar no farol você fala heim? Não, agora um carro buzinou, espera parar. Vai! Fala! Ta..espera virar a rua e fala. Ok, virou. GLUPT…

Você acha estranho o fato de eu não querer falar com você? eu disse…

Ele respondeu que não.

Mas você entende o motivo? É engraçado né?

Ah, acho que sim.

Ele respondia as coisas meio diretas e sem dar espaço para uma retrucada mas eu sempre continuava: Você deve me achar a pessoa mais estranha do mundo! e ele: Ah…não…Era engraçado o modo como ele respondia pq eu tinha que arranjar outra coisa bem rápido pra falar sem ficar constrangedor. Você guardou aquilo que eu te dei? [me referindo ao mini-livro] e ele: Guardei sim… eu: Mentira! Sério? Guardou mesmo? ele: Sim, ta guardado. Então eu disse: Você entendeu o propósito daquilo? E ele: Acho que entendi. Então eu quis deixar claro que não tinha sido um mini-livro de amor e disse: Mas não vai pensar que tem algo a ver com.. Ele: Não não, eu sei! Mas eu acho legal continuar assim do jeito que tá. Pq a gente se encontra todo dia no ônibus e tal…E eu: Ah, eu tb acho legal assim. Ta, eu estraguei um pouco falando com vc né? Mas não me aguentei. Ok, fim do assunto. Pra sempre! e ele: Ta, pra sempre.

[…]

Mas eu não sei nem seu nome! eu disse…E ele riu. Ok, então só me fala seu nome. Ele demorou um pouquinho pra responder, deu uma mini pensada e disse: André. E eu: Que legal, sabia que se eu tiver um filho ele vai se chamar André? Acho um nome lindo. Ele sorriu e perguntou meu nome. Eu disse: Renata :]

O silêncio voltou. Mas dessa vez por pouco tempo. Chegou no ponto em que descemos e eu me levantei. Ele, logo atrás de mim foi se levantando também…Quando desci a escada do ônibus e pisei na calçada ele disse: Tchau Renata, bom trabalho! e eu: Tchau André, pra você também.

Fim.

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A 1ª vez que falei com ele.

Hoje, 29/08/08, pela primeira vez falei com meu amigo do ônibus. [aquele do post anterior, que dei o mini livro]
Encontrei ele de manhã no ponto e pegamos o mesmo ônibus, trocamos sorrisos. Na hora do almoço, quando voltava pro meu trabalho, o encontrei atravessando a rua no sentido contrário do meu. Não hesitei e na hora em que nos cruzamos, dei meia volta bem ao lado dele e comecei a andar sorrindo; ele disse: ‘Oi!’ [e sorriu]; eu disse: ‘Oi, você viu o sol hoje?’ e ele: ‘não…o que tem?’ e eu respondi: ‘olha pra ele…’ ele olhou meio confuso, dizendo: ‘ai, é difícil!’ [o sol refletia nos oclinhos de grau dele, escondendo seus olhos claros] e eu ajudei ele falando: ‘calma, pode por a mão em frente ao sol e olhar em volta…’ ele: ‘nooossa! que legal!’ e eu: ‘lindo né? se chama halo solar, procura na internet depois!’ ele deu uma risadinha simpática e eu dei tchau, virando as costas e atravessando a rua de novo. Isso durou uns 8 segundos.
Foi a 1ª vez que ouvi sua voz, mas nos falamos como se já nos conhecêssemos.

Fim.


ps. esta é a foto do halo solar que mostrei pra ele

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