Minha vida numa viagem de metrô

AVISO: Este post contém histórias inventadas baseadas em fatos reais. Imagine 😉

Zona Oeste de São Paulo. Metrô, linha verde. Mais especificamente na estação Vila Madalena. É nela que eu sempre começo uma viagem nova. Viagem que pode ir até a Consolação apenas, mas que não deixa de ser interessante pelo tamanho da distância. Ontem, andando naquele trem novo e bonito [que mais parece um hospital], eu comecei com meus devaneios.

Acho que cada viagem de metrô é como uma vida diferente. Assim que você entra no vagão, você começa a viver uma história. Conflitos, amores, cheiros, olhares…Tudo de mais legal está presente! Da pra criar várias tramas. E ontem, comecei a fazer isso. Resolvi escrever pra vocês.

Estava lá eu olhando praquele cara ruivinho e simpático. Eu sabia que o conhecia de algum lugar, ele era ator de propagandas. Estava um super frio e ele entupido de casacos. O que era muito estranho, pois suas pernas eram finas e seu tronco grosso, deixando ele totalmente desproporcional. Mesmo sendo meio tortinho, tive a maior vontade de conversar com ele. Ele me parecia legal e imaginei que poderíamos ser amigos. Então, elegi ele como o melhor amigo da minha história. A gente conversava por horas, ria, desenhava…Nos entendíamos muito bem. Seu nome era Bernardo.

O Ber só ficava meio chateado comigo, quando o Pedro estava por perto. Pedro era o cara que eu estava afim. Ele era alto, magro e tinha olhos claros que iluminavam seu rosto em meio a tantos fios de cabelo castanho. Usava sneakers e estava sempre com seus fones de ouvido. Nós trocávamos olhares e vez ou outra alguns sorrisos. Deixava Bernardo falando sozinho enquanto olhava pro Pedro e esperava ganhar uma atençãozinha a mais. Até que resolvemos conversar, e foi aquela coisa gostosa sabe? De dar risadas tímidas, pegar no braço, encostar na mão…Numa brecada brusca do metrô, acabamos dando nosso primeiro beijo. Bernardo ficou só ali no cantinho olhando, e como um bom amigo, acabou ficando super feliz por mim.

Eu acabei arranjando tempo para os 2. Pedro não tinha ciúmes de mim com o Bernardo, e entendia que éramos apenas amigos. Vivíamos otimamente bem. Sempre que sentíamos fome, a tia Bernadete, aquela velhinha sentada no banco cinza especial para idosos, nos dava um pão de queijo quentinho que tinha acabado de pegar na padaria pra levar para seu marido em casa. Ela era um amor de pessoa e estava sempre sorrindo.

Apesar de me dar super bem com Pedro, sentia um certo vazio em nosso relacionamento. Parecia-me sempre que algo estava prestes a acontecer e que eu o perderia para sempre. Num dado momento, entrou no vagão a Larissa, uma menina loira, peituda, gostosa e burra, do tipo que leva todos os olhares para a sua direção. Pedro, como um homem normal, também olhou. Me senti traída, mas continuava apaixonada. Larissa fez um charme, mas logo desceu na estação seguinte, me deixando tranquila em relação ao meu amor.

Teve uma hora que eles quase arranjaram briga por minha causa. Osaías, aquele gordo nojento, entrou no trem e me deu um belo empurrão. Daqueles que fazem a gente quase se estabacar no chão, sabe? Pedro olhou pra ele com um olhar sério e Bernardo chegou até a sacudir a cabeça num ato de total desaprovação. Osaías, aquele suíno, nem ligou e foi se sentar num banco longe de nós.

As coisas iam muito bem. Bem até demais. Estava mostrando o livro que lia para meu amigo Bernardo, até que Pedro me olhou profundamente nos olhos e sem dizer nada, saiu pela porta do trem assim que ela abriu. Achei que era brincadeira, mas olhando ele lá fora e vendo a porta se fechar, vi que ele nunca mais voltaria. Ele deu uma última olhada pra mim pela janela do trem, e partiu. Infelizmente era mais um amor acabado em minha vida. Daqueles que cortam o coração, que nos deixam triste e com vontade de chorar. Nem a presença de Bernardo me deixava feliz naquela altura. Minha vida tinha acabado. A graça que eu via naquilo tudo, não existia mais.

Ainda bem que meu fim estava próximo. Estávamos chegando na estação final. Bernardo também ia descer nela, mas como tudo tinha perdio o sentido para mim, não nos falamos mais. Tia Bernadete já tinha ido embora em alguma estação sem eu nem ver e Osaías, o nojentão? Não quis nem olhar pros lados para ver onde ele estava.

As portas se abriram. A voz da moça do metrô anuncia: “Estação final, Vila Madalena. Favor desembarcar nesta estação”.  Todos nós já estávamos esgotados. Parecia que nossas vidas tinham mesmo acabado ali. Aquela viagem de metrô não fazia mais o menor sentido e tudo que queríamos era chegar em casa, sãos e salvos.

Foi o que fizemos. Descemos do vagão, subimos as escadas rolantes em silêncio, atravessamos a catraca e finalizamos nossa vida juntos, sem trocar olhares. A história tinha acabado ali, para no dia seguinte, dar lugar a outra que começaria. Novos amores breves de metrô. Novas amizades, afetos e até mesmo desgostos. Tudo muito breve mas não menos real. A vida é mesmo uma caixinha de surpresas. E andar de metrô é igual.

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14 Comentários

Arquivado em Comportamento, Cotidiano, Eu, Fatos da vida, Relacionamentos

14 Respostas para “Minha vida numa viagem de metrô

  1. Marcio

    kara, quase um livro, vamos aguardar a continuação…

  2. Augusto

    Great! Love it (:

  3. Ni

    hhahaha
    mente brilhante !!!

    E a continuação do Flerte ?!? acabou? o.O

    Bjkas

  4. então Ni, não tenho encontrado muito meu vizinho não…como a história é real, é preciso tempo pras coisas acontecerem. vamos ver né? hehehe beijao!

  5. Menina, fiquei foi com vontade de andar de metrô agora. Pena que aqui não tem.. rs. E que venham mais contos, reais ou imaginários, porque eu tô adorando. 🙂

    E eu já ia perguntar pelo vizinho.. rs… Mas vi o comentário de Ni e deixei pra lá. 😉

    Bj e até mais.
    Deh

  6. Huahuhauha..engraçadissimo, comecei um blog a pouco, e escrevo sobre historias que acontecem no ônibus, realmente é uma outra vida…

  7. Eu tenho certeza; espera, deixa eu falar direito: CER-TE-ZA, que a linha verde do metrô, esse trecho Vila Mada e Ana Rosa (que eu faço todo dia) tem alguma coisa especial. Péra: es-pe-ci-al!

    =)

    bjo,
    Lucas

  8. A série foi renovada para uma segunda temporada, mas posteriormente cancelada, pois a HBO não gostou do rumo dos roteiros do segundo ano.

    E, olha, eu acho uma série maravilhosa, que mostra o dia a dia, quão fucked todos somos, quão fucked up são nossos relacionamentos.

    Ah, e são apenas dez miseros episódios.

    Beijo, beijo, bonita.

  9. Laerthon

    Oi!… sou d Aracaju,SE. Já acompanho seu blog a um tempinho. Mais nunca postei comentários. Cheguei em seu blog pesquisando blogs d designers no Grão Mestre Google. Na verdade sou super seu fã e vc nem sabe neh. Adoro suas historias. Até mais grande abraço!

  10. Gui

    Pow Rezitcha! Adorei esse texto! Brisei! Mas que não brisa nas viagens de metrô? Pelo menos uma paqeurinha tem q rolar… sempre fico pensando em como as pessoas devem ser, do q devem gostar e tal! Mt bom esse texto! gostei mt! parabens! BJO!

  11. Yve!

    primeira vez que visito esse blog, parabéns!
    A preguiça veio querendo me pegar, mas eu resistir e li todo texto até o final, ainda bem, pois a sua história é excelente.

  12. Ana

    Nossa! adorei! e é muito difícil eu ler o post de algum blog até o final… Excelente! Parabéns!

  13. Pingback: Amores Breves de Metrô Podem dar Certo « Loucuras da Mente de um Biscoito

  14. Pingback: Amores Breves de Metrô Podem Continuar — Biscoitices

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