Alguém aí lembra do meu vizinho bonitão do 8º andar? Aquele com quem eu flertava no elevador? Aquele que usava terno e gravata, era lindo, educado e gentil? Aquele pra quem eu fiz um cartãozinho e entreguei através do porteiro? Então…
Muita gente, desde que leu os posts relacionados a ele, vem me pedir para continuar a história e eu nunca continuava pq simplesmente não tinha continuação. Na verdade, eu até encontrava ele às vezes mas nada acontecia, ele apenas era educado, lindo como sempre e normalmente a gente sempre se encontrava em dias péssimos do tipo: “acordei, me olhei no espelho e sou a pessoa mais feia do mundo”, sabe? Confesso que inúmeras vezes deixei o elevador passar direto pelo meu andar quando via que estava descendo pra, no caso de ser ele, a gente não se encontrar.
Passei um tempão sem vê-lo e ontem, subindo uma das ruas perto de casa, olho pro outro lado da calçada e vejo um bonitão de terno [sim, eu ainda morro de fetiches por homens de terno] e, observando melhor, notei que era o bonitão do 8º andar. Apressei o passo, tirei os fones de ouvido, comecei a arrumar o cabelo e rezei pra ele não olhar pra trás e me ver, toda desengonçada me arrumando.
Chegando no prédio, ele abriu o portão e só me viu quando ia fechar. Disse: “Opa! Oi Rê, tudo bem? Quanto tempo né?” Entramos no prédio, e chegando no elevador, ele abriu a porta pra mim [claro] e entramos. Ele estava muito simpático. Dava pra sentir que ele estava feliz em me ver. Eu dei uma travada e ele resolveu perguntar: “Mas e ai Rê, como andam as coisas no trabalho?” Gente…Ele me chama de Rê! Tem coisa mais fofa? Eu falei que tudo bem e logo cortei falando que o vizinho lá de cima me contou que ele o ensinou a dar nó na gravata e eu tinha achado bonitinho. Ele, um pouco tímido, deu uma risadinha e explicou que como trabalhava em banco [boooring...] e dava o nó na gravata todo dia, já estava super acostumado. Infelizmente, como moro no 3º andar, meu andar chegou e eu fui saindo.
- Ah…Então tá, tchau né..
Ele deu um tchau sorrindo e eu fui embora. Dessa vez, notei que ele estava bem diferente que das outras. Ele me olhava nos olhos, me dava muita atenção…Parecia até que tava me dando bola mas eu pensei: “Ah…Como eu pago um pauzão pra ele, devo estar imaginando coisas né? Mesmo pq, o vizinho lá de cima me contou que ele tem namorada…” [PASMEM! Ele não é gay, porém namora].
Esse encontrinho foi o suficiente pra garantir meu bom humor na semana inteira. Daí hoje, resolvi esperar ele sair do metrô [meio escondida] pra gente se encontrar e conversar de novo. Sentei no banquinho da farmácia, era mais ou menos o mesmo horário de ontem, e fiquei esperando por ele. Confesso que fiquei lá uns 15 minutos e pensei: “Ai, como sou boba né? Pareço criança. Eu vou é embora pra casa!”. No caminho, no mesmo lugar que encontrei ele ontem, adivinham quem eu vejo? O PAI dele. hahaha Juro, foi muito azar e muita coincidência ao mesmo tempo. Eu fui até meu prédio, com passos de tartaruga, pra ele me alcançar caso estivesse chegando.
Foi totalmente falida a minha tentativa de encontrá-lo. Peguei o elevador, cheguei em casa, coloquei a bolsa na cama e sei-lá-pq-diabos resolvi descer. Só podia ser instinto do coração! Eu pensei: “Vou descer, falar qualquer coisa com o porteiro, ir até a esquina e voltar” tipo uma última chance.
Cheguei no térreo, abri a porta do elevador e QUEM ESTAVA ENTRANDO? Sim! Ele! O vizinho bonitão! Meu coração foi pra boca e ele, já abrindo um sorriso falou: “Vai subir Rê?” – OI? eu tinha acabdo de descer? – hahaha mas daí respondi: “Vou. Peraí! [...] ah, não, pode subir vai…” eu pensei que daria muito na cara se subisse com ele. Daí ele falou: “Não, eu te espero!” [nessa hora minha cabeça tava a mil tentando arranjar uma pergunta idiota e rápida pra fazer pro porteiro e pegar logo o elevador] Olhei pra cara do porteiro e ele me olhou com cara de interogação. Eu gaguejei:
- Ai…não tenho nada pra te falar.
- ???????????
- É…Meu irmão saiu que horas mesmo?
- …umas 4 e pouco. [detalhe, ele tinha me dito isso ha 2 minutos qdo eu subi pela 1ª vez...Será que ele entendeu tudo? hahaha fora que era o mesmo que eu tinha pedido pra entregar o cartão naquela vez!]
Vi uma mulher chegando no portão e corri pro elevador. Ele segurou a porta pra mim, mas não esperou a mulher. Logo vi que era pra ficar sozinho comigo, afinal, educado como ele é, esperaria a mulher né? Daí fomos conversandinho nem-me-lembro-o-que no elevador e rapidamente chegou no meu andar. O assunto ainda não tinha acabado e eu fiquei conversando com ele na porta. Enquanto ele falava algo sobre os horários dele ou como ele ia pro trabalho eu disse: “Ai, tem uma moça lá em baixo esperando o elevador, melhor não prender a porta….” [não me chamem de idiota mas coitada da mulher...] Ele então, num movimento rápido, saiu do elevador e logo me vi com ele, sozinha no hall do meu apartamento.
Ele saiu do elevador só pra conversar mais comigo! Dava pra notar que os dois estavam meio sem jeito e com a maior vontade de conversar mais. O assunto na verdade nem importava, afinal, estávamos juntos. [hahaha só pra romantizar um tico]. Mas depois de falar sobre trabalho, ônibus, metrô, descobrir que trabalhamos perto e ele me oferecer carona pro trabalho todo dia quando pegasse o carro novo, eu falei assim pra ele:
- Você lembra o cartãozinho que eu te dei?
- Lembro sim, claro! Guardo ele até hoje!
- Ounnn..Então, é que nem tive oportunidade de explicar o pq eu fiz..Você sabe pq eu fiz?
- Ah, foi por causa daquele dia do elevador né?
- É..É que aquele dia você tava mó simpático comigo e eu tava super de mau humor e no final da conversa perguntei se vc acordava de bom humor e vc ficou meio sem jeito..Afinal, que pergunta foi aquela né? Daí fiquei com peso e resolvi te fazer aquele cartãozinho
- Po, eu adorei! hahaha você trabalha num lugar que faz isso né? Nossa eu acho um máximo essas coisas, eu adoooro! [ele realmente mostrou uma empolgação fora do normal]
Eu imitei ele falando adoooro e ri da cara dele. Ele comentou da luz do hall que estava meio desajustada pq ficava apagando toda hora. Nós rimos. Estava na cara que ele inventava assuntos aleatórios só pra continuar falando comigo alí no hall.
O elevador chegou de volta. Eu disse um tchau já meio que indo embora e ele estendeu o braço, pegando no meu ombro, pra me dar um beijo no rosto. Eu puis a mão na cintura dele, toquei naquele lindo terno e retribui o beijo no rosto dando boa noite.
Abri a porta da minha casa. Entrei. Fechei. E só não dei um grito de alegria pq ele ouviria do elevador. Só sei que fiquei com as pernas trêmulas. Me senti como uma menininha que tem seu 1º amor na escola e ele diz “oi” pra ela pela primeira vez
Estou pensando em fazer um cartãozinho pra ele e entregar num dia conveniente dizendo: “Queria que nosso prédio tivesse cem andares e a gente morasse nos últimos.”
